MÉTODO

Perceber não chega.É preciso fazer diferente.

Há coisas que já percebeste sobre ti há muito tempo. Sabes de onde vêm, reconheces quando acontecem e, mesmo assim, voltas a fazê-las. O RACE é a forma como trabalho essa distância entre perceber e fazer diferente.

Multidão a subir as escadas rolantes de uma estação, enquanto um homem sobe sozinho pelas escadas ao lado, em direcção à luz da rua.
01RACE · OS QUATRO TEMPOS

Quatro tempos, por esta ordem.

Chama-se RACE, das iniciais, e em inglês quer dizer corrida, o que tem a sua graça, porque a primeira coisa que te peço é que pares. Isto não se faz a correr. Faz-se por ordem, e cada tempo só funciona porque o anterior já lá está.

  1. 01 / 04

    Regular

    Antes de resolver o que quer que seja pela cabeça, trabalha-se o estado. Que emoção é exactamente esta, com que intensidade, onde a sentes, e o que está a fazer ao que vês e decides. Às vezes é só respirar, ou pôr os pés no chão e reparar onde está o aperto. Trabalho de descarga não faço.

    Com o corpo em alerta, decides para te defender, e tudo o que vem a seguir sai torto.

  2. 02 / 04

    Assumir

    Sair do lugar de quem sofre a situação e procurar a parte que é tua, mesmo que seja pequenina, porque é nessa parte, e só nela, que podes mexer.

    Se vamos à história antes disto, ela vira explicação, e explicação tu já tens. Contada por quem já assumiu a sua parte, a mesma história serve para mudar alguma coisa.

  3. 03 / 04

    Clarificar

    Que história estás a contar a ti próprio sobre isto, e o que é que ela anda a proteger. Às vezes ainda é verdade. Muitas vezes era verdade em miúdo, e nunca mais ninguém foi ver.

    Se fores agir sem perceber o que isto anda a proteger, volta a ligar-se sozinho na semana seguinte, como o antivírus.

  4. 04 / 04

    Executar

    Uma coisa concreta, com dia marcado, que na sessão seguinte aconteceu ou não aconteceu. Ligar a quem andas a evitar, na quinta. Dizer que não àquela reunião de sexta.

    É o único tempo que se vê de fora. Se na sessão seguinte não aconteceu, começamos por aí.

Dá para sair de uma sessão muito mais calmo e voltar na semana seguinte exactamente igual. A calma não chega. E perceber também não, se não houver nada marcado para quinta-feira.
02O MODELO

Isto é uma metáfora.

Falo em sistema, em processos a correr e em antivírus porque foi a maneira que encontrei de explicar isto depressa. Dentro da cabeça de ninguém há processos nem antivírus.

Há hábitos que ficaram porque resultaram, e que disparam sem ninguém os chamar. A imagem ajuda a pensar neles, e para diagnosticar não serve. É escolha minha, aliás, ninguém a vai encontrar num livro de neurociência.

Tudo a que me obrigo está em Limites →

03SIMULADOR

Marca os que estiverem a correr em ti neste momento.

Ninguém vê o que seleccionas. Nada fica registado.

0 / 10

Dos dez padrões apresentados, estes são os que reconheces em ti.

Nenhuma destas te ocorreu agora. Já cá estavam antes de abrires esta página.

Não te revês em nenhum? Também está tudo bem. Isto não é um teste e não há respostas certas.

Não há resultado certo. Conta o que reconheceste.

SE PRECISARES DE FALAR COM ALGUÉM

Se alguma coisa aqui te tocou de perto, fala com alguém. Alguém em quem confies, e conta-lhe o que se passa mesmo contigo, mesmo a parte que custa.

Se não tiveres ninguém assim, há linhas que atendem todos os dias, e estão aqui em baixo.

E procura acompanhamento profissional. Há coisas que uma conversa com alguém próximo não chega para resolver.

Pedir ajuda não diz nada de mau sobre ti. Eu pedi, e continuo a pedir.

Reconhecer o padrão é um começo.Não é a mudança.

04UMA HIPÓTESE

De onde vem o que te trava.

Aquilo que hoje te limita começou por tentar proteger alguma coisa. Pertença, segurança, aprovação, controlo, aquela coisa de saber sempre o que vem a seguir. Ficaste com elas porque funcionaram, ninguém guarda o que nunca lhe serviu, e o trabalho é ir ver, uma a uma, se ainda precisas delas.

Tens a pasta dos reels guardados para ver com calma, aquela calma que nunca chega, o livro de que toda a gente falava com o marcador ainda no capítulo três, dois podcasts seguidos no carro a caminho do trabalho, e se alguém te pergunta porque é que fazes o que fazes respondes logo, de cor, foi o meu pai, foi aquele primeiro chefe, é medo de falhar, e é tudo verdade. E na segunda-feira está lá. No mesmo sítio.

05O QUE MUDA

Quase ninguém consegue apontar o dia em que virou.

A explicação chega em duas ou três sessões. A mudança demora mais, porque tem de passar por situações reais, e essas acontecem ao ritmo delas.

O que as pessoas apontam são coisas pequenas que passaram a acontecer. Uma, que formava empregados de mesa, passou a formar pessoas. Outra deixou de fazer tudo ao mesmo tempo e começou a acabar uma fase de cada vez. E há quem tenha passado a guardar tempo para dormir, para o ginásio, e para não fazer nada.

Não sinto que tenha havido um momento específico em que tudo mudou. Foi mais um conjunto de pequenas mudanças ao longo do tempo.
Teresa C. · Gestora · Publicidade
06

Uma coisa para esta semana.

Se alguma coisa aqui te fez reconhecer um padrão teu, observa-o esta semana, numa situação concreta. Repara no que acontece antes, no que sentes, na história que contas a ti próprio, no que fazes a seguir. E depois experimenta fazer uma coisa diferente, pequenina, que se veja.

Se quiseres fazer isto acompanhado, a primeira conversa é de trinta minutos e gratuita.

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