REGISTO / O QUE MUDOU

O QUE MUDOU. E o que ainda não.

Pedi a algumas pessoas com quem trabalhei que me contassem o que mudou. Há coisas que deixaram de fazer, outras que começaram. E há as que continuam a custar. Não fazia sentido mostrar só a parte bonita.

LER OS TESTEMUNHOS

Folha de caderno escrita à mão sobre uma mesa de madeira, com as listas «Deixei de», «Comecei a» e «Ainda custa», ao lado de uma chávena de café vazia e uma caneta.
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São palavras das próprias pessoas, partilhadas com autorização. Mantive também o que ainda está a meio.

Teresa C.

Gestora · Publicidade

a correrguardar tempo para mim
Comecei a organizar melhor as minhas tarefas e a guardar tempo para coisas que eram importantes para mim, como o ginásio, ter o sono em dia ou ficar só sem fazer nada.
a correrperguntar se isto é mesmo meu
Comecei a questionar mais se determinada coisa era realmente importante para mim, ou se estava simplesmente a fazê-la porque sentia que tinha de fazer ou porque tinha de agradar alguém.

Estas ainda estão a meio.

em cursoficar para segundo plano
Às vezes volto a deixar-me ficar para trás e ficar para segundo plano. Continuo a ficar com a consciência pesada por sentir que estou a falhar a alguém.

Tiago P.

Brand Operations Director · Restauração

desactivadoser o cargo
Deixei de me identificar com o trabalho e com o fato que uso, e comecei a olhar para quem está dentro dele. Hoje trato as pessoas como pessoas, e só depois vem o resto. Já não formo empregados de mesa, formo pessoas que usam a hospitalidade para dar uma experiência ao cliente.

Daniela S.

CEO · Consultoria em Saúde

desactivadoter sucesso em tudo ao mesmo tempo
Tomei consciência de que não podia ter sucesso em tudo. Terminei uma fase de cada vez, e tudo flui.
em cursoo trabalho vive em mim
Ainda sou muito dependente do trabalho. Na realidade, acho que o trabalho vive em mim. Estou a tentar mudar isso aos poucos, e permitir-me sair do trabalho.

João O.

Agente da PSP

desactivadoperceber sem conseguir mudar
Já tinha tentado ir fundo e perceber os meus padrões, sem lá chegar. Quando percebi de onde vinham, ficou mais fácil corrigi-los.
Um homem atravessa uma rua de Lisboa ao fim da tarde, a olhar para o telemóvel, entre carros e montras iluminadas, com o rio ao fundo.
Perceber porque fazemos uma coisa não significa que amanhã deixemos de a fazer.
02E EU?

APRENDI MUITA COISA. CONTINUO A FAZER DISPARATES.

Mesa de madeira junto a uma janela sobre os telhados de Lisboa, com um portátil fechado, um caderno aberto, um copo de água e um casaco pousado na cadeira.

Durante muitos anos, fui bastante competente a resolver problemas, tomar decisões e fazer acontecer.

Pelo menos, em algumas partes da minha vida.

Noutras, nem por isso.

Havia projectos que avançavam, responsabilidades que cumpria e muita coisa a funcionar. Mas havia outras partes da minha vida que não estavam nada bem.

Até que colapsei.

Não acordei no dia seguinte com a vida resolvida. Nem pouco mais ou menos.

Comecei foi a fazer perguntas que nem sempre me apetecia responder.

Porque é que determinadas situações me afectavam tanto? Porque é que repetia comportamentos que sabia que não me faziam bem? E porque é que era tão fácil identificar certas coisas nos outros e tão difícil reconhecê-las em mim?

A pergunta mais desconfortável talvez fosse esta: qual era a minha parte naquilo de que me queixava?

Fui percebendo que conhecer as razões de um comportamento não me dá carta branca para continuar a repeti-lo.

E, mesmo assim, ainda hoje me acontece perceber perfeitamente o que estou a fazer e continuar.

É irritante. Sobretudo quando já devia saber melhor.

Mas há coisas que mudaram.

Hoje questiono mais as minhas certezas. Tento distinguir o que aconteceu da história que construí na minha cabeça. E procuro perceber o que estou a sentir antes de reagir.

Nem sempre consigo. Às vezes só percebo depois.

Continuo a aprender a ser pai, a relacionar-me, a trabalhar e a estar comigo e com os outros. Continuo a encontrar contradições minhas que preferia não descobrir.

Não tenho a vida resolvida.

Tenho mais consciência de algumas coisas, faço escolhas diferentes noutras e continuo a tropeçar em algumas das mesmas.

O que mudou foi deixar de acreditar que perceber a vida era o mesmo que saber vivê-la.
03

SABER NÃO CHEGA.

Podemos falar horas sobre padrões, emoções e escolhas. Mas depois chega uma conversa difícil, uma mensagem a que não apetece responder ou um limite que custa pôr. E é aí que vemos o que mudou.

E às vezes voltamos a fazer exactamente o mesmo. Também vale a pena olhar para isso, sem fingir que não aconteceu.

O que estas pessoas contam é delas. Não é uma promessa de que aconteça o mesmo a toda a gente.

04

E TU, O QUE GOSTAVAS QUE MUDASSE?

Não precisas de chegar com tudo explicado. Podemos começar por aquilo que te anda a incomodar, mesmo que ainda não saibas bem o que fazer com isso.

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